Numa imensidão de angústia, mergulhada em escuridão. Retomar a vida cotidiana a cada manhã é um sofrimento. Faz dias que não se permite levantar da cama. Seus pensamentos estão em curto-circuito. Apática, liga a televisão para ver as notícias desgraçadas da manhã. Não sabe como começar um dia sem acessar o colapso do mundo. O mundo em colapso acorda e adormece todos os dias. Só queria dormir e não acordar. Em colapso, fica sentada à beira do colchão, esperando a vida passar. Dentro de sua cabeça, de onde não consegue sair, permanece atordoada.
Corte de navalha
na carne
Sangra a vida, escorrida
Corrida
Sertão árido,
Terra batida
Ferida aberta,
Braço forçado,
Perna esfolada,
Cabeça à beira do delírio.
O que será? Onde estás?
Coração pulsando, ruído de batedeira, estilhaço de britadeira.
Coração pulando, sente. Sente muito.
Angústia.
O que o mundo fez dos sonhos?
E dos desejos?
Qual é a linguagem da vida?
Perturbação. Ruído. Estilhaço!
Escapou, criança marota?
Onde estás?
Lembro de tua astúcia…
Passou?
Eros que brinca e se alegra
Corre, caminha, engatinha
Sobe e desce
Vai e vem!
Criança marota
Segue o curso da luz, tem medo do escuro
Eros canta, dança, brilha.
Onde estás, criança marota?