Merda

Entristecido, pensando em sua vida de merda, decide:

​”Não é possível que seja só isso. Desperta! Desperta, homem! – Ralha consigo – Acredite na luz que existe e resiste.

Não vim ao mundo só para me lambuzar nessa merda.”

 

​Sai de casa, numa manhã quente de arder os olhos da cara.

Encontra, na rua, os ecos de uma vida de merda refletida nos rostos anônimos

das pessoas: desatentas, autômatas, conformadas.

​Será o início de sua revolução? Ou um rotundo fracasso?

 

​A vida cotidiana, o sistema, a estrutura o impedem de se animar, de ser positivo. Positividade tóxica, isso sim. Droga em pílulas de boas intenções.

​Segue e encontra um, dois, três revoltados, irritados.

​A raiva é tão animadora! – Pensa, culpado.

É o amparo que precisa para se levantar todos os dias

da cama e seguir seu destino diário.

 

​Tem luz? Um clarão que possa ajudá-lo a suportar a vida de merda.

​É tudo inevitável. Há revolução? Será que existe? Adormeceu!

​Acordou cedo, lavou o rosto, arregalou os olhos.

​Calçou seu tênis, pegou a bicicleta. Saiu!

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“My bed” (Minha cama)

Tracey Emin, 1998

A obra não se encontra em exposição mas atualmente faz parte da coleção de “The Duerckheim Collection 2015”

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